Lições das eleições

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Próximos do fim dessa corrida presidencial, a pergunta que paira no ar é: o que levaremos dessa experiência para o futuro? Será que aprendemos alguma coisa com o que vivenciamos?

Radicalismo. Essa, sem dúvida, foi a marca registrada do que podemos conceber como a mais baixa campanha eleitoral já feita na breve história da nossa democracia. Fica a impressão de uma massa internauta, composta desde pseudo-observadores políticos a militantes em ambiente virtual (MAVs) a transeuntes casuais, unida em prol de uma única causa: denegrir o candidato da oposição. Petistas ou tucanos, o que se presenciou na rede foi uma tempestade de matérias, posts, ‘memes’, e suas respectivas enxurradas de comentários que, no mínimo, se enquadram no que chamaríamos de jornalismo “questionável”.

Temos pena dos dados econômicos. Estes foram tão distorcidos, torturados e deturpados para “validar” ou “invalidar” um argumento, que uma rápida rolagem na sua timeline tem alta probabilidade de mostrar dados da mesma fonte, os quais, apresentados sob perspectivas diferentes, levam a conclusões diferentes.

reta marota

Como se uma simples análise gráfica fosse capaz de permitir a inferência de causa e consequência, além de responder a todas as perguntas sobre a vida, o universo, e tudo mais.

Quando perguntado sobre a sua opinião a respeito de algum tema (especialmente por aquele amigo que o excluiu por motivações políticas, veja o nível), o bom senso normalmente contra-indica a utilização de fontes dúbias na discussão, como “vi naquela matéria repostada no blog”. Quer citar determinada decisão do TSE? Procure no site do TSE, ou até mesmo no Google, ele provavelmente vai te encaminhar para a fonte correta. Vai usar informações econômicas? Verifique direto na fonte. Aparentemente, porém, essa simples filosofia não prevalece nos dias de hoje; afinal, internautas modernos querem tudo a apenas um clique de distância. Procurar por fontes primárias é difícil, demorado e muitas vezes, pasmem, elas não estão lá. Já diria o “famoso” economista alemão Kurt Neuer, criado no meio de uma discussão para provar um ponto.

Por outro lado, seria injusto jogar a culpa apenas no extremismo manifestado em blogs, jornais online, e militantes de plantão no Facebook. O próprio tom dos debates televisionados passou longe de corresponder às expectativas de civilidade e sofisticação que esperamos de pessoas que se dizem candidatas à presidência do país. No primeiro turno, os debates pareciam um tiroteio de pedras. A troca de acusações e alfinetadas era, de certa forma, esperada. Afinal, aquele era o momento da identificação pessoal dos eleitores com o posicionamento no espectro político das propostas de cada candidato, pequeno ou G3. Já no segundo turno, como esperado, vimos certa convergência nos programas dos candidatos remanescentes, ainda que eles não queiram admitir (alguma dose de ajuste fiscal, por exemplo, vai acontecer em 2015, independentemente do resultado das urnas).

Falando em segundo turno, em matéria de informatividade para o eleitor, os novos debates estão se saindo um fiasco. Os projetos de cada candidato para o futuro do país parecem jogados para escanteio, enquanto a tônica ficou restrita a uma troca de acusações, alfinetadas e desmentidos igual ou pior ao primeiro turno. De tal maneira que, quando se pergunta “quem você acha que ganhou o debate?”, é difícil dar uma resposta definitiva. O certo é que perdemos a chance de assistir a uma discussão proveitosa; perdeu o povo, que foi privado de compreender as diferenças entre propostas alternativas para solucionar problemas do país, que deveriam surgir de um debate frutífero.

Por fim, como economistas, nos perguntamos: como será possível termos atingido um equilíbrio tão ineficiente na disputa política? Infelizmente, até agora, apesar das inúmeras discussões que já tivemos, não chegamos em uma resposta convincente. Só nos resta esperar que, no futuro, o estilo atual de fazer campanha não passe a ser o habitual.

Felizmente, porém, parece haver luz no fim do túnel (direto da fonte é claro):

http://www.tse.jus.br/noticias-tse/2014/Outubro/tse-concede-liminar-a-aecio-e-muda-entendimento-sobre-horario-eleitoral-gratuito